quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

sem amor não sobrevivemos...

1. Sem amor não poderíamos sobreviver. Os seres humanos são criaturas sociais e sentir-se valorizado é a própria base da vida.
2. Quanto mais respeito sentimos por uma pessoa comum, mais dela nos aproximamos e mais nos predispomos a seguir seus conselhos. Do mesmo modo, quanto mais crédito você der a seu mestre, maior progresso terá nas suas práticas.
3. Se está acima de sua capacidade dar o melhor de si, a situação é uma. Mas se está a seu alcance, você deve fazê-lo.
4. A única coisa que importa é colocar em prática, com sinceridade e seriedade, aquilo em que se acredita.
5. Quer se creia, quer não em uma religião, quer se creia, quer não na reencarnação, não há ninguém que deixe de apreciar a cordialidade e a compaixão.
6. Se nos examinamos a cada dia com atenção e vigilância, interrogando nossos pensamentos, nossas motivações e suas manifestações sobre nosso comportamento exterior, poderá emergir em nós uma real oportunidade de mudança e de aperfeiçoamento pessoal.
7. Minha ignorância, meus apegos, meu desejo, meus ódios! Eis aí, na verdade, meus inimigos.
8. A finalidade de todas as grandes religiões não é se manifestar exteriormente, construindo grandes templos, mas criar templos de bondade e compaixão no interior, em nosso coração.
9. Quando somos capazes de reconhecer e perdoar os atos de ignorância cometidos no passado, nós nos fortificamos e nos colocamos à altura de resolver de maneira construtiva os problemas do presente.
10. Um dos pontos mais relevantes nos relacionamentos humanos é a gentileza. Ela, o am, esse sentimento que é a essência da fraternidade, levam-nos à paz interior e a compaixão.
11. Se nosso espírito não se mantém estável e calmo mesmo quando nossa condição física é satisfatória, não conseguimos tirar dele nenhum prazer. Portanto, o segredo de uma vida desabrochada, agora e no futuro, consiste em desenvolver um espírito feliz.
12. É indispensável demonstrar tolerância e paciência no amor a seus inimigos. Esse é o fundamento da vida espiritual, graças ao qual vivemos para o amor do próximo e para o bem da humanidade.
13. A crença religiosa não é uma garantia de integridade moral. Olhando para a história, vemos que, entre os grandes provocadores – aqueles que distribuíram fartamente violência, brutalidade e destruição –, muitos há que professaram uma fé religiosa, às vezes escancaradamente. A religião pode nos ajudar a estabelecer princípios éticos. Contudo é possível falar de ética e moralidade sem recorrer à religião.
14. Cada uma das ações que projetamos e realizamos e o modo pelo qual decidimos pautar nossa vida – como decidimos vivê-la no quadro das limitações impostas pelas circunstâncias – podem ser percebidos como nossa resposta à grande questão diante da qual todos estamos: “Como posso ser feliz?”
15. Em nossa grande busca de amor, somos mantidos pela esperança. Sabemos, muito embora não o queiramos admitir, que não pode haver nenhuma garantia de uma vida melhor e mais feliz do que a que levamos no dia de hoje.
16. O importante é que as pessoas façam um esforço sincero para desenvolver sua capacidade em matéria de compaixão. O grau que elas poderão realmente alcançar depende de numerosos fatores. Se realmente fazem tudo o que lhes é possível para ser mais cordiais e tornar o mundo um lugar melhor, então, a cada tarde, poderão dizer: “Pelo menos fiz o melhor que pude...”
17. Não podemos vencer a cólera e o ódio simplesmente suprimindo-os. Devemos cultivar empenhadamente seus antídotos: a paciência e a tolerância.
18. A linha divisória entre um desejo – ou um ato – negativo e um positivo não está no fato de ele lhe oferecer imediatamente a sensação de satisfação, mas, sim, no fato de ao final produzir resultados positivos ou negativos.
19. A cobiça está ligada ao fato de que, embora o motivo subjacente seja a busca da satisfação, quer a ironia que, depois de conseguido o objeto de seus desejos, você nunca se sinta satisfeito. O verdadeiro antídoto contra a cobiça é o contentamento. Se você tem disso um senso desenvolvido, pouco importa que você consiga ou não o objeto. Nos dois casos, você estará igualmente satisfeito.
20. Por via do esforço contínuo, poderemos superar todas as formas de condicionamento negativo e provocar mudanças políticas em nossa vida. Mas é ainda necessário percebermos que a verdadeira mudança não ocorre no intervalo de uma noite.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tocando em frente

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
...É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada...
(Almir Sater/ Renato Teixeira)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Chora Santa Catarina



Particularmente à época das chuvas mais intensas, quando então todos os problemas de risco se agudizam, o noticiário jornalístico é pródigo no anúncio de tragédias familiares e mortes por soterramentos, situações sempre vinculadas a escorregamentos em encostas de alta declividade ocupadas habitacionalmente nas zonas periféricas de nossas grandes e médias cidades.
Rio, Belo Horizonte, Ouro Preto, São Paulo, Salvador, Recife, Campos do Jordão, Santos, Petrópolis, Ubatuba (como essas últimas, também todas as outras cidades do litoral sudeste brasileiro que tangem os flancos da Serra do Mar e outras regiões serranas tropicais) compõem parte do grande elenco de municípios brasileiros onde esses trágicos eventos são francamente recorrentes.

Para uma mais acurada compreensão do problema e para o correto equacionamento de sua solução, é indispensável considerar separadamente dois aspectos fundamentais, mas bem diversos, dessa questão; o fator técnico e o fator político-social-econômico.
 Do ponto de vista estritamente técnico, e tendo em conta que as expansões urbanas periféricas comumente atingem relevos topograficamente mais acidentados, e, portanto, mais instáveis geotecnicamente, vale afirmar categoricamente que não há uma questão técnica sequer envolvida no problema que não já tenha sido estudada e perfeitamente equacionada pela Engenharia Geotécnica e pela Geologia de Engenharia brasileiras, com suas soluções resolvidas e disponibilizadas.
Cartografia Geotécnica de Risco (indicando as áreas que não podem ser ocupadas em hipótese alguma e as áreas passíveis de ocupação uma vez obedecido um elenco de restrições e providências), tipologia de obras adequadas a contenção de taludes e encostas, tipologia de projetos de ocupação urbana adequados a áreas topograficamente mais acidentadas, mapeamento de situações críticas, metodologia e tecnologia de Planos de Defesa Civil, e tudo o mais que se refere à questão, são parte das ferramentas e informações que o meio técnico brasileiro abundantemente já produziu e disponibilizou à sociedade para o enfrentamento do problema, em sua componente técnica preventiva e corretiva.
 O segundo aspecto a ser considerado, e de fundamental importância, refere-se às componentes sociais, políticas e econômicas do problema. A enorme explosão demográfica urbana que a partir da década de 50 atingiu as metrópoles e as grandes e médias cidades brasileiras se deu em uma velocidade tal que as despreparadas, e muitas vezes descompromissadas, administrações públicas, federais, estaduais e municipais - não foram capazes de acompanhá-las em sua função de planejamento urbano e provimento de infra-estrutura de serviços públicos.
 Por outro lado, a população mais pobre, compelida a buscar soluções de moradia compatíveis com seus miseráveis orçamentos, tem sido compulsoriamente obrigada a decidir-se jogando com seis variáveis, isoladas ou concomitantes: grandes distâncias do centro urbano, áreas de periculosidade, áreas de insalubridade, irregularidade imobiliária, desconforto ambiental, precariedade técnica da construção.
 Somem-se a isso loteadores inescrupulosos, total ausência da administração pública, inexistência de infra-estrutura urbana, falta de sistemas de drenagem e contenção e outros tipos de cuidados técnicos.
No jargão popular, “cutuca-se a onça com vara curta” ou “junta-se a fome com a vontade de comer”. Outra faceta deste mesmo aspecto político-social-econômico. Estamos, nas metrópoles e grandes cidades brasileiras, falando de milhões de pessoas.  Vejamos como exemplo a metrópole paulista, que em suas frentes de expansão urbana atinge regiões progressivamente mais acidentadas topograficamente e com solos menos resistentes e mais susceptíveis a fenômenos de erosão e escorregamentos. De 1991 a 2000 a população na cidade de São Paulo cresceu em média 0,9% ao ano.
Já nas fronteiras de expansão urbana da metrópole esse crescimento foi de 6,3%. Os centros de Guarulhos, Osasco e ABC tiveram um decréscimo populacional de 750 mil pessoas. Já as áreas periféricas estruturadas, um acréscimo de 590 mil.
 E as áreas mais periféricas, nas fronteiras de expansão, um acréscimo de 2,1 milhões de pessoas. Considerando toda a RMSP-Região Metropolitana de São Paulo, em 1991 as áreas de fronteiras de expansão abrigavam 19% da população total; em 2000 esse percentual saltou para 33%; hoje aproximamo-nos dos 50%.
Ou seja, em que pese a necessidade dos serviços públicos melhorarem em muito sua eficiência técnica e logística no tratamento do problema “áreas de risco”, não há como se pretender resolver esta questão somente através de uma abordagem técnica. Em sã consciência, não há administração pública, por mais eficiente e conscienciosa que seja, que vá conseguir resolver o problema dentro da atual cultura de “correr atrás do prejuízo”.
 A questão remete pesadamente para a necessidade de soluções políticas corajosas que considerem o aspecto social-econômico do problema, o que leva a considerar necessariamente programas habitacionais mais ousados e resolutivos. Nesse aspecto, da experiência em trabalhos na periferia da RMSP, testemunhando a enorme extensão da prática da auto-construção, método construtivo espontaneamente adotado pela própria população de baixa renda e que maior sucesso alcançou no atendimento de suas carências habitacionais, mesmo sem assistência técnica alguma ou qualquer outro tipo de apoio, arriscaria afirmar que um programa habitacional que pretenda beneficiar milhões deva se apoiar em três diretrizes combinadas: desapropriação (se necessário) de grandes vazios urbanos ainda existentes nas regiões suburbanas e periféricas, implantação (nesses vazios) de loteamentos com infra-estrutura urbana executada, venda subsidiada dos lotes aí urbanizados, com assistência técnica para a auto-construção e financiamento do material de construção.
 Em suma, um programa habitacional que combine o lote urbanizado e a auto-construção assistida. Com certeza, um programa desse tipo, diferentemente dos programas mais clássicos, seria capaz de atender com habitações dignas e fora de áreas de risco, com razoável rapidez, a centenas de milhares de famílias de baixa renda.
Por certo, ao lado de um esforço imediato para aperfeiçoar e agilizar os trabalhos preventivos e corretivos junto às áreas de risco já definidas, essa seria a única abordagem que, com segurança, colaboraria efetivamente para evitar a cruel repetição, e seu inexorável agravamento, das mortes por soterramento.
 Como está ao alcance das administrações públicas implementar programas como o sugerido, é lícito se concluir que, caso eles não venham a ser implementados, as novas mortes daí advindas não poderão ser debitadas, como comumente e comodamente o vêm sendo, a fatalidades do destino, a desatinos da Natureza, ou à vontade de Deus. Não há como tergiversar: serão novos assassinatos.
Álvaro Rodrigues dos Santos, - Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia - Foi Diretor Geral do DCET - Deptº de C&T da Secretaria de C&T do Est. de São Paulo - Ex-Secretário de Desenvolvimento Econômico e Social de Mogi das Cruzes - Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar” e “Cubatão” - Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente - É criador da técnica Cal-Jet de proteção de solos contra a erosão.