quinta-feira, 8 de março de 2018

Ψ Lou Andreas Salomé, a mulher por quem Nietzsche chorou...

*Lou Andreas Salomé Escritora, Psicanalista e Intelectual do século XX, uma fonte de inspiração para alguns dos homens mais importantes do mundo... apesar de sua inteligência e de sua obra, a fama e o legado foram herdados apenas pelos nomes masculinos com quem se envolveu.

*Nascida em St. Petersburg (1861), filha de um general do exército de Czar, teve sua educação restrita apenas às aulas particulares de um pastor protestante. Aos 19 anos, iniciou seus estudos em Teologia e História da Arte em Zurique. Lou faleceu aos 76 anos em 1937.

*Em 1911, com 50 anos de idade, conheceu Sigmund Freud através de amigos interessados por Psicanálise. 

*Foi a primeira mulher a ser aceita no círculo psicanalítico de Viena, e tornou-se amiga pessoal e discípula de Freud. 

*A amizade entre os dois durou pelo resto de suas vidas, na qual Salomé era uma das poucas pessoas que o famoso psicanalista confiava seus pensamentos mais íntimos.

*Lou era uma mulher à frente do seu tempo: gostava de falar abertamente sobre sexo e erotismo, e tinha um grande interesse por assuntos polêmicos e proibidos para uma mulher em sua época. 

*Desta forma, despertou em muitos homens paixões que beiravam à loucura. 

*Um deles foi o professor universitário Friedrich C. Andreas, segundo a história, teria ameaçado se suicidar caso Salomé não se casasse com ele, existem boatos que o casamento nunca chegou a ser consumado. 

*Algum tempo depois, conheceu o poeta alemão Rainer Maria Rilke, 14 anos mais jovem do que a escritora, por quem ela se apaixonou. (Do relacionamento nasceu um livro com as correspondências que trocaram durante anos, Briefwechsel mit Rilke, em tradução livre Correspondência com Rilke).

*Em uma ida à Roma, conheceu um dos maiores filósofos de todos os tempos: Nietzsche, que estava acompanhado de um amigo e também filósofo Paul Rée. Ambos se apaixonaram por Salomé e a pediram em casamento

*Paul Rée – foi o poeta com quem ela preferiu viver o que deixou Nietzsche completamente arrasado.

*Segundo fontes, ela explicou à Nietzsche que seu amor por ele era apenas intelectual, e não físico ou romântico.

*Especula-se que o agravamento da doença que levou o filósofo à morte foi resultado deste amor não correspondido que Nietzsche nutriu até o fim de sua vida. 

*Em carta ao seu editor, Nietzsche falou um pouco sobre seus sentimentos em relação a partida de Salomé: “Minha relação com Lou está nos últimos e mais dolorosos momentos. Pelo menos assim o creio hoje. Mais tarde – se houver um mais tarde – quero dizer uma palavra a respeito. Compaixão, meu caro amigo, é uma espécie de inferno, desabafou o filósofo.

*Após o suicídio de Paul Rée, (1902). Salomé entrou em uma profunda depressão, a qual o médico austríaco Friedrich Pineles a ajudou a se recuperar. Da amizade nasceu um caso amoroso que resultou em um aborto voluntário de Lou. 

*Salomé passou a viajar pela Europa, frequentando os meios sociais mais revolucionários de sua época, vivendo por muitos anos entre as cidades de Berlim, Munique, Paris e Viena. 

*Com a efervescência intelectual que vivia e sua profunda admiração pela filosofia, lançou o seu primeiro livro no começo do século, chamado 'Na luta por Deus'.

*Pouco tempo depois, comprovou a sua grande admiração pelo amigo Nietzsche, publicando seu segundo livro: 'Friedrich Nietzsche e sua obra'.

Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

(...)

Alessandro Nesci - o homem e o sol
                                   
(...) quando o sol nascer... 

Cada amanhecer é novo e também incrivelmente antigo. 

O que este dia me trará?


O início de cada dia traz um mistério com ele, o segredo que será revelado naquele dia. 

Cada dia é uma oportunidade para iluminar o desconhecido até que seja adicionado e transmitido para o próximo e se acumule como certezas...


Quando o sol nasce, encoraja e fortalece-nos, é hora de aproveitar essa clareza renovada para aumentar o que já é conhecido entre a multidão. 

O mundo é uma multidão, nesta multidão neste dia há algo que pertence a você além de você mesmo.

... é um pulo de consciência, o segredo que revela esse amanhecer é aquele que nos permite obter o que nos coloca no caminho para ser o que devemos ser.

(...) não conhecemos o nosso destino ...  o  destino se manifesta para nós, enquanto estamos conscientes ao caminhar... por vezes nos é revelado num leve sussurrar do vento... estejamos alertas.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Projeto Amanhecer “Saúde, Educação, Pesquisa e Atendimento com Práticas Integrativas-Complementares, Terapias Alternativas e Assistência Psicológica”. UFSC/ HU

Inscrições para o Projeto Amanhecer 1° bimestre de 2018 
Atendimento Gratuito - Acontecerá nos dias 06 e 07 de março. Deverá ser feita presencialmente no Projeto Amanhecer (Núcleo de Capacitação Técnica do HU), das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00. Para os usuários que possuem vínculo com a UFSC/HU, é necessário apresentar documentação que comprove o mesmo (atestado de matrícula, crachá, etc). Para realização das inscrições serão distribuídas 150 senhas por período. Em caso de dúvida entrar em contato.   http://www.hu.ufsc.br


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Democracia do Brasil Empurrada para o Abismo - NYT - 23.01.2018

Democracia do Brasil empurrada para o Abismo
texto: Mark Weisbrot - 23 de janeiro de 2018
Fonte: Jornalistas Livres

WASHINGTON - A regra da lei e a independência do judiciário são realizações frágeis em muitos países - e susceptíveis a reversões bruscas.

O Brasil, o último país do mundo ocidental a abolir a escravidão, é uma democracia bastante jovem, tendo saído da ditadura há apenas três décadas. Nos últimos dois anos, o que poderia ter sido um avanço histórico - o governo do Partido dos Trabalhadores concedeu autonomia ao judiciário para investigar e processar a corrupção oficial - tornou-se o contrário. Como resultado, a democracia brasileira agora é mais fraca do que aconteceu desde que o governo militar acabou.

Esta semana, em que a democracia pode ser mais corroída quando um tribunal de apelação de três juízes decidir se a figura política mais popular do país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, será impedido de competir nas eleições presidenciais de 2018, ou mesmo preso.

Não há muita pretensão de que o tribunal seja imparcial. O presidente do painel de apelação já elogiou a decisão do juiz de julgamento de condenar o Sr. da Silva por corrupção como "tecnicamente irrepreensível", e o chefe de gabinete do juiz postou em sua página no Facebook uma petição pedindo a prisão do Sr. Silva.

O juiz de julgamento, Sérgio Moro, demonstrou seu próprio partidarismo em numerosas ocasiões. Ele teve que pedir desculpas ao Supremo Tribunal em 2016 por divulgar conversas telefônicas entre o Sr. da Silva e a presidente Dilma Rousseff, seu advogado e sua esposa e filhos. O juiz Moro organizou um espetáculo para a imprensa em que a polícia apareceu na casa do Sr. da Silva e levou-o para interrogatório - apesar de o Sr. da Silva ter dito que iria denunciar voluntariamente para interrogatório.

A evidência contra o Sr. da Silva está muito abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, no sistema judicial dos Estados Unidos.

Ele é acusado de ter aceitado um suborno de uma grande empresa de construção, chamada OAS, que foi processada no esquema de corrupção "Carwash" no Brasil. Esse escândalo de vários bilhões de dólares envolveu empresas que pagam grandes subornos a funcionários da Petrobras, empresa estatal de petróleo, para obter contratos a preços grosseiramente inflacionados.

O suborno alegadamente recebido pelo Sr. da Silva é um apartamento de propriedade da OAS. Mas não há provas documentais de que o Sr. da Silva ou sua esposa já tenham recebido títulos, alugados ou mesmo ficaram no apartamento, nem que tentaram aceitar esse presente.

A evidência contra o Sr. da Silva baseia-se no testemunho de um executivo da OAS condenado, José Aldemário Pinheiro Filho, que sofreu uma pena de prisão reduzida em troca da evidência do estado de viragem. Segundo o relato do importante jornal brasileiro Folha de São Paulo, o Sr. Pinheiro foi impedido de negociar a súplica quando ele originalmente contou a mesma história que o Sr. da Silva sobre o apartamento. Ele também passou cerca de seis meses na prisão preventiva. (Esta evidência é discutida no documento de sentença de 238 páginas).

Mas essa escassa evidência foi suficiente para o juiz Moro. Em algo que os americanos poderiam considerar como um processo de canguru, condenou o Sr. da Silva a nove anos e meio de prisão.

O estado de direito no Brasil já havia sido atingido por um golpe devastador em 2016, quando a indicada do Sr. Silva, Sra. Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014, foi acusada e demitida do cargo. A maior parte do mundo (e talvez a maioria do Brasil) pode acreditar que ela foi acusada de corrupção. Na verdade, ela foi acusada de uma manobra contábil que temporariamente fez com que o déficit orçamentário federal fosse menor do que seria de outra forma. Era algo que outros presidentes e governadores faziam sem consequências. E o próprio promotor federal do governo concluiu que não era um crime.

Embora houvesse funcionários envolvidos na corrupção de partidos em todo o espectro político, incluindo o Partido dos Trabalhadores,
não houve acusações de corrupção contra a Sra. Rousseff no processo de impeachment.

O Sr. da Silva continua a liderar nas eleições de outubro por causa do sucesso dele e do partido em reverter um longo declínio econômico. De 1980 a 2003, a economia brasileira mal cresceu, cerca de 0,2 por cento anualmente per capita. O Sr. da Silva assumiu o cargo em 2003 e a Sra. Rousseff em 2011. Em 2014, a pobreza foi reduzida em 55% e a pobreza extrema em 65%. O salário mínimo real aumentou 76%, o salário real geral aumentou 35%, o desemprego atingiu níveis recordes e a infame desigualdade do Brasil finalmente caiu.

Mas em 2014, uma profunda recessão começou, e a direita brasileira conseguiu aproveitar a desaceleração para classificar o que muitos brasileiros consideram um golpe parlamentar.

Se o Sr. da Silva for impedido da eleição presidencial, o resultado poderia ter pouca legitimidade, como nas eleições hondurenhas de novembro, que eram amplamente vistas como roubadas. Uma pesquisa no ano passado descobriu que 42,7% dos brasileiros acreditavam que o Sr. da Silva estava sendo perseguido pelos meios de comunicação e pelo judiciário. Uma eleição não-crivel pode ser politicamente desestabilizadora.

Talvez o mais importante, o Brasil se reconstituirá como uma forma de democracia eleitoral muito mais limitada, em que um judiciário politizado pode excluir um líder político popular de se candidatar a cargos. Isso seria uma calamidade para os brasileiros, a região e o mundo.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Ψ Repensar, Reciclar, Renovar.. ♻

*É hora de mudança... remover, limpar, varrer, doar, ressignificar...
*A dificuldade em aceitar que precisamos mudar só provoca mais resistência e medo.
*Escolher dançar com a mudança significa que você se permite fluir com ela.  *Deixe-se entrar sem limites na dança caótica da transformação e você será ricamente abençoada com muitas possibilidades. É hora de se permitir fazer algo completamente novo.

Deusa Oya:
Eu trabalho de modo profundo
Sempre em movimento
Eu trabalho de modo dramático
com trovões e relâmpagos
Varrendo e extirpando
Mas também de forma sutil
Empurrando e lentamente deteriorando
Eu rodopio e giro... 
É a forma que encontro para abrir seu caminho
O que não posso é ser ignorada
Chame por mim!

*A Deusa Oya sugere mudança e diz que a terra precisa ser revolvida antes que algo possa ser plantado, e que a mudança vai lhe trazer exatamente àquilo que você precisa para em seu caminho rumo à totalidade. 

*Na mitologia africana a Deusa Oya é a deusa iorubá dos fenômenos climáticos, tornados, raios, fogo, tempestades destrutivas. *Casada com Ogum, sua cor é violeta ... *Liderança feminina, do encanto persuasivo e da transmutação. *Equivale à poderosa Iansã na mitologia brasileira. *Sincretismo: na tradição cristã Santa Bárbara.

*De acordo com a tradição Xamã os animais exibem padrões de comportamentos capazes de transmitir mensagens ocultas a qualquer ser atento o bastante para captar suas lições de vida.

*O que o Esquilo por exemplo pode nos ensinar sobre mudanças ou  medo delas?

Patrícia Christensen
Esquilo... Você armazenou nozes
No oco do tronco, para uma eventual necessidade.
Ensina-me a colher apenas o necessário,
Confiando na Providência Divina
Para efetuar a semeadura e a colheita suficiente,
(sem degradar o ambiente).

*Na insegurança destes tempos é importante ser previdente... poupando para eventuais emergências... entretanto, o sistema capitalista excede ... transformando o ser humano em acumulador compulsivo, e isso sabemos leva a uma condição psicopatológica.

*Na ansiedade, você acaba por acumular coisas em demasia, livre-se delas.

*Isso equivale a um conceito intelectual sectário, preocupação, pressão, estresse... ou meros objetos que você mantém guardados caso um dia venha a precisar. que por vezes só ocupa espaço, impedindo a entrada de outras possibilidades.

*Armazenamento só tem sentido se equilibrado... equilíbrio que resulta da correta circulação e constante renovação do estoque para uma fonte revigorada e melhor qualidade de vida. ... 

O Esquilo ainda ensina a guardar em local seguro o que de fato é importante para nós... 

*Aqui não se refere somente aos bens materiais escondidos em compartimentos secretos... 

*Na dimensão humana, o local mais seguro é ainda poder recorrer ao jardim secreto e inviolável da mente serena e do coração cheio de compaixão por todos os seres vivos... 

*Neste compartimento secreto reside uma fonte inesgotável de energias benéficas  que irão libertar seu coração e mente, propiciando prosperidade e autocura. 

*Os bens que realmente valem à pena são a saúde, a sabedoria e o amor.

"Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (Mateus 6.19-21)

“TUDO TEM O SEU TEMPO DETERMINADO, E HÁ  TEMPO  PARA TODO  PROPÓSITO  DEBAIXO DO CÉU “. (Eclesiastes  3: 1- 11)

(...) o seu tempo é um presente dos Deuses... mas não é o tempo dos deuses ... por isso é tão valioso que não tem preço... Ainda há quem diga que tempo é dinheiro...

*Lembramos que na mitologia o deus cronos é por excelência o deus do tempo.

Ivan Akimov
*Cronos (em grego: Κρόνος, Krónos), é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, o céu estrelado, e Gaia, a terra.

*Cronos simbolicamente é o tempo medido pelo relógio, calendário, rotina. É o tempo determinado dentro de um limite.

*Kairos remete ao  momento certo, oportuno. Refere-se a um aspecto qualitativo do tempo.
                                                                                                           
Fonte: Amy Sophia Marashinsky - O Oráculo da Deusa
Jamie Sams & David Carsom- A Descoberta do Poder Através  da Energia dos Animais
https://pt.wikipedia.org › wiki › Chronos de pt.wikipedia.org
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clinica

domingo, 17 de dezembro de 2017

Ψ Conselho Federal de Psicologia repudia mudanças na política de saúde mental

Proposta do Ministério da Saúde desfigura a política de saúde mental e afronta diretrizes da política de desinstitucionalização psiquiátrica

(...) Entre as modificações propostas pelo governo estaria a manutenção de leitos em hospitais psiquiátricos, a ampliação de recursos para comunidades terapêuticas e a limitação na oferta de serviços extra-hospitalares.
Para o CFP, o texto do Ministério da Saúde contém pontos que desfiguram a política de saúde mental e afrontam as diretrizes da política de desinstitucionalização psiquiátrica, prevista na Lei 10.216/2001, além de violar as determinações legais no que se refere à atenção e cuidado de pessoas com transtorno mental estabelecidas na Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e na Lei Brasileira de Inclusão.
Além disso, o plano vislumbra um redirecionamento progressivo de uma rede comunitária para um modelo baseado em instituições médico centradas, privadas, promotoras de estigma e segregação e que se mostrou historicamente ineficiente.   

Nada adiantou. Nem mesmo estes, entre tantos outros apelos de profissionais e entidades especializadas foram suficientes. A reunião ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do Sistema Único de Saúde (SUS) aprovou, sem nenhum tipo de discussão, na manhã desta quinta-feira (14), em Brasília, as mudanças na política de saúde mental propostas através de portaria do Ministério da Saúde.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental, Paulo Amarante, a controversa portaria foi aprovada a “toque de caixa”. “Não foi aberta a palavra. Eu pedi a palavra, o Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde, pediu também e o ministro respondeu grosseiramente que não daria a fala a ninguém. A portaria só foi lida. Não tivemos qualquer possibilidade de manifestação”, disse.


Sérios retrocessos - Desde que a portaria que altera a política de atendimento à saúde mental foi colocada em pauta, várias entidades, como o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos (PFDC) se manifestaram contra.


De acordo com eles, a portaria impõe sérios retrocessos no tratamento de pacientes com transtornos mentais e a usuários de álcool e drogas. Todos temem, sobretudo, o retorno da internação de pessoas com transtornos em hospitais psiquiátricos.


Para o psiquiatra Leon Garcia, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, esta “é a maior ameaça à política de saúde mental desde 1990 [quando começaram as discussões sobre a reforma psiquiátrica]”. Para ele, além de dar aval a hospitais psiquiátricos, a medida traz o risco de desfinanciamento de outros serviços.


A procuradoria, por sua vez, alegou que “as mudanças afrontam os direitos humanos e a reforma psiquiátrica antimanicomial adotada no país, pois limitam os recursos para unidades que trabalham com a reinserção psicossocial de pessoas, como serviços residenciais terapêuticos, ao passo que aumentam o custeio de hospitais psiquiátricos”.


“Considerando que há o dever legal de diminuir as internações hospitalares e a segregação das pessoas com deficiência, para que elas sejam de regra atendidas em serviços extra-hospitalares, não há razoabilidade no aumento do custeio dos hospitais psiquiátricos, na diminuição do financiamento ao gestor local que fechar leitos para atender no modelo extra-hospitalar, e na manutenção do número de leitos em hospitais psiquiátricos. Não há como não enxergar que esta política apenas incentiva a manutenção de hospitais psiquiátricos, o que viola frontalmente a Lei nº 10.216/2001 e nega às pessoas com transtorno mental o direito de serem tratados em serviços”, diz a nota.


Também em nota, o CFP disse ser contrário à proposta do Ministério da Saúde de mudança na política de saúde mental. O conselho destaca que, na semana passada, foi concluído encontro com dezenas de instituições que marcou os 30 anos de mobilização em defesa do fim dos manicômios. Nele, foi aprovada a Carta de Bauru, que reafirma que “uma sociedade sem manicômios é uma sociedade democrática”.


A Comissão - A Comissão Intergestores Tripartite conta com representantes do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, disse à Agência Brasil que “boa parte da proposta é muito interessante, tem avanços”, mas discordou de que as mudanças vão ampliar a internação em hospitais psiquiátricos.


Ministério da Saúde - O Ministério da Saúde foi procurado pela Agência Brasil, mas a assessoria informou que as propostas finais do órgão serão apresentadas na reunião, prevista para as 8h30.


“Retrocesso na saúde mental?” - 
Em artigo publicado nesta quinta-feira (14), na sessão “Tendências e Debates”, da Folha de S.Paulo, com o título “Retrocesso na saúde mental?”, vários profissionais ligados à saúde mental se posicionaram contra a portaria.


De acordo com eles, “nos últimos 30 anos, o Brasil construiu uma política de Estado para portadores de transtornos mentais que ganhou o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde”. Neste novo cenário, “o orçamento federal, que antes subvertia a lógica ao priorizar internações, hoje destina 75% de seus recursos para serviços extra-hospitalares, que ajudam homens e mulheres a encontrar saúde mental e felicidade lá onde ela pode estar, no cotidiano da vida em comunidade”.


Para os profissionais, “a proposta ressuscita o financiamento de ambulatórios de saúde mental, sobrepostos aos serviços comunitários existentes. O conjunto das propostas privilegia a internação e duplica serviços. Como os recursos são escassos e decrescentes, o resultado será o sucateamento da rede comunitária de saúde mental”.


"Maior ameaça à política de saúde mental desde 1990”;  “As mudanças afrontam os direitos humanos e a reforma psiquiátrica antimanicomial adotada no país”; 
“O ministro da Saúde não pode desfazer numa canetada uma política de Estado amparada pela legislação federal, pelo controle social do SUS e mundialmente reconhecida por seus resultados”.
Desfiguração da política de saúde mental - Entre os pontos mais críticos da proposta do Ministério da Saúde, o CFP ressalta a desestruturação da política de desinstitucionalização, que se dá pela decisão equivocada de revogar a permanência do valor das autorização de internação hospitalares (AIHs) nos municípios referentes das internações de moradores psiquiátricos após sua saída dos hospitais. Isto retira recursos de uma política já subfinanciada e desestimula municípios a promoverem a retirada de moradores de hospitais. Da mesma forma, as minutas dão brecha para a existência de residências em ambientes hospitalares, o que desconfigura a essência da desinstitucionalização, que é retomar a vida em comunidade.
Outra medida criticada pelo CFP é o financiamento de ambulatórios psiquiátricos, porque muitos municípios irão migrar de modelo, pautado na atenção comunitária, para outro medicalizante, caro e ineficaz. Esta migração será decorrente da impossibilidade de aumento de custos. Este modelo ainda irá minar as ações de saúde mental que vêm se fortalecendo na atenção primária a saúde.
Fonte: Conselho Federal de Psicologia, Revista Fórum, A Folha  
Ψ Fatima Vieira - Psicóloga Clínica 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Pablo Picasso - Blue Period 1900/ 1904

                                                             Casagemas in His Coffin (1901)
Esta pintura faz parte de uma sequência sobre a morte de Carlos Casagemas, filho do consul americano em Barcelona, pintor e amigo do artista. 
O suicídio de Casagemas, por causa de uma decepção amorosa, gerou profunda devastação no artista, que afirmou ter começado a pintar em azul após refletir sobre a morte do amigo.